Cooperativas de Resíduos Sólidos: Vantagens e Desafios

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12/02/2021

Cooperativas de Resíduos Sólidos: Vantagens e Desafios

As cooperativas de resíduos sólidos atuam nas atividades de coleta seletiva, triagem, comercialização de resíduos recicláveis e reutilizáveis. Essas cooperativas contribuem para o fortalecimento do mercado de resíduos no Brasil, para implantação da logística reversa, para redução da disposição dos resíduos em locais inadequados e para o desenvolvimento socioambiental. Porém, ainda encontram problemas para encontrar compradores de resíduos recicláveis e recebem pouco investimento público e privado.

Veja abaixo o que abordaremos neste artigo:

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Cooperativas de resíduos sólidos

As primeiras cooperativas e associações de coleta e reciclagem de resíduos sólidos foram formadas a partir da década de 1990, possibilitando novas perspectivas na relação dos grupos de catadores com o poder público. Desde então, o número de cooperativas só tem aumentado.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), o Brasil possui 1.153 cooperativas de resíduos sólidos no total. Também, conforme o SNIS, em 2018, essas cooperativas foram responsáveis pela coleta de 30,7% dos resíduos sólidos recolhidos no país.

Um grande impulso para acelerar a formação de cooperativas foi, sem dúvida, a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – lei 12.305 de 2 agosto de 2010.

Isto porque, a PNRS trouxe uma abordagem de responsabilidade compartilhada para a segregação, a destinação, a disposição e o gerenciamento de resíduos sólidos. A PNRS determinou a obrigatoriedade de política de logística reversa para vários setores produtivos.

Parece que, aos poucos, as pessoas têm percebido o significado do provérbio que diz que “a união faz a força”. Desta forma, as cooperativas têm surgido para garantir a conquista de um interesse comum. Esse tipo de iniciativa favorece não apenas cooperados, mas também a sociedade em geral.

Vantagens das cooperativas para sociedade em geral

Vantagens das cooperativas para sociedade em geral

As cooperativas contribuem para economia local, pela geração de renda para os cooperados e para os empregos diretos e indiretos gerados pela compra de produtos e utilização de serviços.

No âmbito ambiental, as cooperativas de coleta e reciclagem de resíduos reduzem todos os impactos ambientais negativos vinculados à má destinação dos resíduos sólidos.

As cooperativas contribuem para extensão do ciclo de vida produtos e embalagens por meio da coleta, separação e fornecimento de matéria-prima secundária para a indústria.

A norma ISO 14001:2015, referente ao Sistema de Gestão Ambiental, traz a necessidade de que as organizações identifiquem os impactos dos resíduos sólidos, que vão além de seu ambiente interno de gestão. Portanto, toda empresa que possui ou pretende ter certificação ISO 14001 irá buscar meios de avaliar e potencializar a gestão do ciclo de vida dos produtos consumidos e produzidos por ela.

Nesse contexto, o vínculo entre cooperativas e organizações públicas ou privadas é vantajoso para ambas às partes.

A utilização de material reciclável também diminui os custos com matéria prima. Por sua vez, o baixo custo da produção reflete no custo do produto que chega ao consumidor final. Desta maneira, todos saem lucrando.

De forma indireta, as cooperativas também contribuem para a saúde pública, sistema de saneamento e diminuição de necessidade de construção de mais aterros sanitários.

Contribuem ainda para a redução da extração de recursos naturais e facilitam programas de logística reversa de empresas, que buscam a recuperação de produtos recicláveis.

Gestão ambiental

Vantagens de ser um cooperado

A organização proporcionada pela estrutura de uma cooperativa possibilita maior poder de barganha dos recicladores com a indústria e com o poder público. Por meio de cooperativas é possível acumular maior volume de recicláveis e vender de forma direta à indústria. Desta forma, os catadores obtêm melhores preços, por eliminar a figura do intermediário.

Na cooperativa, não existe relação de empregado-empregador. Todos os cooperados são donos do negócio. Portanto, os cooperados participam diretamente das decisões de todos os processos envolvidos.

A gestão de uma cooperativa tem bases democráticas e participativas. Logo, todos os associados têm direito a voto igualitário.

Outra vantagem de ser cooperado é a redução das taxas de empréstimos e incentivos fiscais. Em conjunto, é possível aumentar a escala de produção, reduzir custo e aumentar lucros.

Os lucros são reinvestidos no negócio, com base naquilo que é decidido em assembleia. Ao final do ano, tudo o que não é reinvestido, é distribuído a todos os associados, conforme respectivas participações.

Estas sobras podem ser distribuídas tanto em dinheiro como em aquisição de mais cotas-partes, dependendo de decisão da Assembleia. Em caso de perdas, elas podem ser compensadas com resultados futuros. E mesmo assim, se o cooperado quiser sair da sociedade, poderá receber o valor de suas cotas-partes.

Algumas cooperativas também agregam como vantagem ao cooperado benefícios como seguro de vida, plano de saúde e previdência privada, com valores mais vantajosos do que os contratados individualmente.

A participação em cooperativas proporciona várias vantagens que ações individuais e até mesmo organizações de empresas privadas não seriam capazes de proporcionar.

Para saber um pouco mais sobre a formação de cooperativas, participe do leia a cartilha “Cooperativa: série empreendimentos coletivos” e faça os cursos gratuitos de educação à distância do SEBRAE na área de Cooperação.

Desafios das cooperativas de coleta e reciclagem de resíduos sólidos

Desafios das cooperativas de coleta e reciclagem de resíduos sólidos

Embora a unidade torne as cooperativas mais fortes, elas também enfrentam outras séries de desafios.

Existem vários benefícios trabalhistas que não são acessados por cooperados, pois o trabalho do cooperado não gera vínculo empregatício. Portanto, a cooperativa deve contar com estratégias de gestão que possibilitem a segurança e estabilidade financeira para os cooperados, no caso de acidentes, doença etc.

Apesar de existirem recursos que só podem ser acessados por meio de cooperativas, se comparada à importância e os benefícios socioambientais das cooperativas, os investimentos públicos e privados deveriam ser maiores.

Outra dificuldade é que a maioria dos cooperados não possui alto nível escolaridade ou conhecimento técnico especifico para solucionar os problemas de gerencia e captação de recursos. Mas esse é problema que tem solução bastante simples. Não é necessário que o cooperado tenha alto conhecimento técnico, nem empregar funcionários com conhecimento específico em gestão de resíduos sólidos. Ele pode utilizar software de gestão.

A VG Resíduos possui um software de gestão de resíduos sólidos que fornece todas as informações que o cooperado precisa para organizar, gerenciar, gerar relatórios e potencializar os lucros da cooperativa. Tudo isso de forma simples e prática.

Faça um teste gratuito e veja como é fácil gerenciar os resíduos sólidos. Caso tenha alguma dúvida na utilização do software entre em contato conosco. Lembre-se que a organização dos dados da cooperativa contribui não apenas para potencializar os lucros e atender as normais legais vigentes.

Ter uma boa gestão de resíduos sólidos processados pela cooperativa, e poder traduzir isso em gráficos e números, é uma forma de atrair investidores e parceiros. Portanto, o desafio de gerenciamento de forma simples e prática é um dos principais pontos de risco para o sucesso da cooperativa, mas se bem trabalhado pode se tornar uma grande oportunidade para expandir e ter maiores lucros.

A contribuição da logística reversa e coleta seletiva para as cooperativas

Sabemos que a coleta seletiva e a logística reversa impulsiona o desenvolvimento das cooperativas de resíduos sólidos. Mas como?

A coleta seletiva consiste em uma coleta diferenciada de resíduos com características similares. O gerador do resíduo separa previamente o resíduo segundo a sua constituição ou composição e disponibiliza-os para a coleta separadamente. Isso contribui para a logística reversa facilitando o retorno do produto pós-consumo ao seu ciclo produtivo, através de canais reversos de pós-consumo como de reciclagem e de reuso, ou seja, através de cooperativas de resíduos sólidos.

Tanto a coleta seletiva quanto a logística reversa são importantes pilares para gestão de resíduos. Já que por meio deles os materiais são separados para serem reciclados ou reaproveitados, deixando assim de ir para os aterros.

A responsabilidade pela implantação da coleta seletiva, conforme determina a PNRS é dos municípios. Haja vista que no plano de gestão integrada de resíduos sólidos dos municípios é necessário definir metas referentes à coleta seletiva. Contudo, a adoção dessa prática não deve ser vista somente como uma obrigação das prefeituras, mas de todos.

A coleta seletiva porta-a-porta pode ser realizada tanto pelo prestador do serviço público de limpeza e manejo dos resíduos sólidos ou quanto por associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

A logística reversa já é um instrumento utilizado por diversos países como uma alternativa eficiente para o adequado gerenciamento de resíduos. No Brasil foi a PNRS que implantou este sistema. O objetivo é fazer retornar todos os produtos pós-consumo ao setor empresarial. Este retorno garante a recuperação dos materiais recicláveis que farão parte de um novo ciclo produtivo.

Portanto, concluímos que as cooperativas de resíduos sólidos trazem diversas vantagens, contudo enfrentam vários desafios. As cooperativas contribuem para o fortalecimento do mercado de resíduos no Brasil, para implantação da logística reversa, para redução da disposição dos resíduos em locais inadequados e para o desenvolvimento socioambiental. Porém, ainda encontram problemas para encontrar compradores de resíduos recicláveis e recebem pouco investimento público e privado.

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Gerenciamento de resíduos

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