Como destinar e gerenciar resíduos que destroem a camada de ozônio?

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04/02/2021

Como destinar e gerenciar resíduos que destroem a camada de ozônio?

Você sabe como destinar resíduos que destroem a camada de ozônio? A reciclagem e recuperação têm sido muito utilizadas para destinação ambientalmente correta dos resíduos que contem substâncias que destroem a camada de ozônio. Esse tipo de tratamento permite recuperar as substâncias que causam sérios impactos ambientais e destina-los para outros usos ambientalmente correto. Veja, neste artigo, como é possível promover a destinação e o gerenciamento correto de resíduos que destroem a Camada de Ozônio (SDOs). Confira!

A principal causa da destruição da camada de ozônio são as atividades realizadas pelo ser humano desde a Revolução Industrial, as quais lançaram uma enorme quantidade de CFCs e halogênios na atmosfera. Em virtude disso, medidas para diminuir o uso e descarte dessas substâncias têm sido adotadas, inclusive a destinação de materiais pós-consumo que contem essas substâncias.

Com o advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa, e o Protocolo de Montreal a responsabilidade pelo gerenciamento de resíduos que destroem a camada de ozônio passou a ser compartilhada entre os geradores e o poder público, bem como os fabricantes, distribuidores e importadores.

Veja abaixo o que abordaremos neste artigo:

O que é a camada de ozônio?

Antes de compreender a maneira correta do gerenciamento, é interessante que você esteja por dentro de alguns termos a respeito do assunto.

A Camada de Ozônio é uma porção da atmosfera construída em 90% de moléculas de ozônio, um gás formado por três átomos de oxigênio (O3). A camada de ozônio fica situada na estratosfera a uma altitude de 20 km a 35 km da superfície terrestre.

Nessa camada, o ozônio interage com a maior parte da radiação ultravioleta B (UV-B), que chega ao topo da atmosfera, e a libera de volta para o espaço. De todos os gases que compõem as várias camadas da atmosfera terrestre, o gás ozônio é o único que tem essa capacidade.

A importância desse fenômeno deve-se ao fato que a radiação UV-B é nociva aos seres vivos. E sem este “filtro” natural, a vida, se quer, poderia ter se estabelecido na superfície do planeta.

Atualmente, em seres humanos, a exposição intensa à radiação UV-B está associada aos riscos de danos à visão, ao envelhecimento precoce, à supressão do sistema imunológico e ao desenvolvimento do câncer de pele. Em animais, o excesso de exposição aos raios ultravioletas B interfere de forma negativa nos estágios iniciais do desenvolvimento de peixes, camarões, caranguejos e outras formas de vida aquáticas e reduz a produtividade do fitoplâncton.

Como os fitoplâncton são a base da cadeia alimentar aquática, o excesso de raios ultravioletas pode provocar desequilíbrio ambiental.

Como é possível observar, a exposição intensa a raios ultravioletas pode causar danos generalizados e de grandes proporções. Nesse sentido, se dá a importância de sermos criteriosos na Destinação e Gerenciamento de Resíduos de Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs), até que se tenham opções tecnológicas para sua completa eliminação.

Destruição da Camada de Ozônio

Os clorofluorcarbonetos (CFCs) são os gases mais citados nos estudos sobre a destruição da camada de ozônio. A princípio, essa substância era considerada a ideal para se usar em aerossóis e sistemas de refrigeração, por ser estável não tóxico.

Contudo, através de vários estudos, principalmente os relacionados aos buracos da camada de ozônio, descobriu-se que o clorofluorcarboneto na presença da luz solar se quebra liberando um radical livre e reativo na camada de ozônio.

Com o objetivo de unir esforços para eliminar a emissão de SDOs foi criado o Tratado de Montreal, onde o Brasil é signatário.

Quais são as substâncias que destroem a Camada de Ozônio (SDOs)?

Quais são as substâncias que destroem a Camada de Ozônio (SDOs)

Nos anos 80 observou-se a redução do espessamento da camada de ozônio. Várias pesquisas atribuíram esse fenômeno à emissão de algumas substâncias sintéticas na atmosfera terrestre. Algumas dessas pesquisas foram, inclusive, premiadas com Prêmio Nobel.

As substâncias sintéticas são identificadas atualmente como destruidoras de Ozônio (SDOs).

Uma das SDOs mais conhecidas são os CFCs - compostos que contêm carbono, cloro e flúor em sua fórmula. Este gás foi apontado como o principal responsável pela redução da camada de ozônio, e sua produção e uso foram banidos em 2010.

Em substituição aos CFCs, as indústrias passaram a utilizar compostos hidrocarbonetos clorados e fluorados (HCFC). Os compostos HCFC também são SDOs, mas são menos danos à camada de ozônio. Assim, os HCFC são um recurso paliativo, até que novas tecnologias venham substituir o seu uso.

O uso dos HCFCs é bastante diverso: Os HCFC-22 são utilizados na refrigeração e ar condicionado (RAC) e manufatura de XPS (poliestireno extrudado), para fabricação de embalagens térmicas (semelhante à bandeja de isopor) e uso como isolante. Os HCFC-141, na manufatura de espumas, solventes, aerossóis e limpeza de circuitos. Os HCFC-123, nos extintores de incêndios e fluidos refrigerantes em chillers. O s HCFC-142b na manufatura de XPS (poliestireno extrudado);

Além dos HCFCS, outras SDOs ainda em utilização são como o Halon (utilizado para apagar incêndios em equipamentos elétricos sem deixar resíduos) e o Brometo de Metila (agrotóxico gasoso usado como fumigante em tratamentos de solos e controle fitossanitário de vegetais).

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Quem é responsável pela destinação final das SDOs?

De acordo com a Política Nacional e Resíduos Sólidos, a responsabilidade pelo ciclo de vida do produto é compartilhada, a qual prevê um conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, transportadores, fornecedores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Assim todos os envolvidos no ciclo de vida de SDOs são responsáveis pela destinação e pelo gerenciamento de SDOs. Ou seja:

  • empresas de manufatura de equipamentos de refrigeração, de espumas de poliuretano e outros processos que envolvam a utilização de SDOs e substâncias alternativas;
  • organizações e pessoas que atuam na manutenção de equipamentos de refrigeração e ar condicionado de uso doméstico, comercial, industrial, automotivos; empreendimentos e consumidores que utilizem SDOs ou HFCs;
  • empresas de gerenciamento de resíduos sólidos, bem como Centros de Regeneração e Armazenamento (CRA) de fluidos frigoríficos (refrigerantes).

Como destinar os resíduos que destroem a camada de ozônio?

Como destinar os resíduos que destroem a camada de ozônio?

Deve-se contatar uma empresa legalmente constituída e com licença ambiental. É importante que possua o Plano de Gestão Ambiental associado à Gestão de Resíduos Sólidos específicos para a organização.

As melhores alternativas de destinação são: Centrais de Regeneração e Armazenamento de Fluidos Frigoríficos (CRAs) ou Tratamento Térmico – como incineração e co-processamento.

A reciclagem e a recuperação dos fluidos refrigerantes fazem parte da estratégia para eliminação e gerenciamento dos resíduos que destroem a camada de ozônio. Essas ações englobam iniciativas para recolher, armazenar, transportar, tratar e reutilizar estas substâncias de modo ambientalmente correto e seguro.

Reciclar resíduos que destroem a camada de ozônio significa retirar impurezas dos resíduos.

Trinta Anos do Tratado de Montreal: avanços e desafios

O Protocolo de Montreal foi o primeiro tratado relacionado ao meio ambiente a ser universalmente ratificado. O acordo, que foi chancelado na cidade de mesmo nome no Canadá em 1987, tem como objetivo promover mecanismos de proteção da camada de ozônio; tendo o Brasil como um dos 197 países signatários.

O Protocolo de Montreal estabeleceu metas de eliminação das substâncias destruidoras da camada de ozônio, conhecidas como SDOs, para todas as partes, respeitando o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

Desde 1987, o acordo tem sofrido algumas mudanças. Parte dessas alterações são nomeadas de acordo com o local de sua adoção: Londres (1990), Nairóbi (1991), Copenhagen (1992), Bangkok (1993), Viena (1995), Montreal (1997), Pequim (1999) e, mais recentemente, Kigali (outubro, 2016).

A Emenda de Kigali além de estabelecer controle sobre o consumo dos hidrofluorcarbonos (HFCs), representou um grande fato histórico. Pela primeira vez, o Protocolo passou também a tratar de substâncias que não causam danos à camada de ozônio, mas que afetam o sistema climático global.

Atendendo ao acordo, com a coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com o auxílio das agências implementadoras – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Agência de Cooperação Alemã (GIZ) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) – o Brasil executou projetos para conversão tecnológica nos setores de espumas, refrigeração e ar condicionado, solventes, agricultura, indústria farmacêutica e demais setores da indústria química, além de capacitar mais de 30 mil técnicos do setor de refrigeração e ar condicionado.

Ao longo dessas três décadas, o Brasil eliminou o consumo de aproximadamente 17 mil toneladas de Potencial de Destruição do Ozônio (PDO) de substâncias prejudiciais para a camada de ozônio, tais como CFC, Halons, CTC e Brometo de Metila na agricultura.

Atualmente o principal foco é a completa eliminação da produção e consumo dos hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) em todo o planeta até 2040. Segundo dados da ONU, os Estados parte do Protocolo de Montreal já eliminaram cerca de 98% de substâncias nocivas para a camada de ozônio, impedindo, assim, que mais de dois milhões de casos de câncer de pele atingissem a população por ano.

Em 2016 foi o ano de iniciar as ações para a segunda etapa do acordo. Nesta etapa, o Brasil deverá finalizar a conversão de todas as empresas que trabalham com espuma de poliuretano rígido. Estas medidas são importantes, pois a partir de primeiro de janeiro de 2020 será proibida a importação do HCFC-141b (substância utilizada como agente de expansão na produção de espumas).

Desde 2010, por meio do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), opPaís também vem desenvolvendo medidas para a correta Destinação Final e o Gerenciamento de SDOs.

Neste sentido, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estão implantando um projeto modelo, no âmbito do Protocolo de Montreal. Além de tomar várias medidas para eliminar o consumo de SDOs, o Brasil precisa resolver a questão de alguns passivos armazenados, além de um quantitativo significativo ainda em uso que passarão também a ser um passivo.

O tratamento apresentado como modelo pelo MMA e ONU é um tratamento térmico, com a instalação de incineradores na cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo.

O objetivo deste projeto é desenvolver um modelo de gestão de resíduos de SDOs ao estabelecer uma logística e parâmetros para a destruição dessas substâncias. O projeto demonstrativo prevê a destinação de cerca de 100 toneladas de SDOs, atualmente armazenadas nos centros de regeneração e armazenamento (CRA) instalados no país, em cilindros não padronizados.

O primeiro passo, antes do tratamento térmico, é padronizar o tipo de recipiente de armazenagem das SDOs que serão destinadas à incineração, o que facilita o processo de incineração.

Além da padronização dos recipientes de armazenamento, será necessário identificar e segregar as diversas substâncias armazenadas. Isso porque os resíduos não contem apenas SDOs, mas também podem conter substâncias inflamáveis, que exigem maior cuidado para manuseio e transporte até o local de tratamento.

Alguns testes estão sendo realizados para analisar a eficiência dos incineradores. Espera-se que após os resultados obtidos com esse projeto modelo, outras incineradoras possam se adequar e assim seja iniciado um mercado para a correta destinação de SDOs em todo o país.

Gestão ambiental

Como a Consultoria em Gerenciamento de resíduo pode trazer as vantagens no gerenciamento de resíduos que destroem a camada de ozônio?

A VG Resíduos auxilia a sua empresa na gestão completa dos resíduos que destroem a camada de ozônio.

O gerenciamento de resíduo realizado pela VG Resíduos conta com o software que permite o mapeamento da geração de resíduos por fonte geradora. Todas as informações referentes ao resíduo gerado são inseridas no sistema, este integra e organiza esses dados de modo a orientar e viabilizar a gestão mais eficiente.

Evite elaborar o mapeamento da sua empresa apenas para formalização junto ao órgão ambiental dos resíduos gerados. Utilize o mapeamento para a melhoria continua dos processos, redução de custos e organização da empresa.

Portanto, neste artigo vimos que o melhor método de destinar resíduos que destroem a camada de ozônio é a reciclagem e recuperação. Também, vimos que para as substâncias que mais destroem a camada de ozônio são CFC e halogênios.

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Gerenciamento de resíduos

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