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Mercado de resíduos une inteligência e logística

Mercado de resíduos une inteligência e logística
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Mercado de resíduos
Brasil joga fora toneladas de resíduos que poderiam ser comercializados por bolsas de resíduos, com ganhos para as empresas e o meio ambiente

Desde a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, o setor produtivo teve que se adequar para atender à obrigatoriedade da destinação ambientalmente adequada dos resíduos que produz. Diante da demanda por novos mecanismos para cumprir a lei sem ônus na produção e no lucro, o mercado de resíduos se apresenta como sendo um poderoso aliado da PNRS e uma saída economicamente viável, já que resíduos têm valor monetário e podem ser transformados em matéria-prima.

Voltado para a comercialização de resíduos industriais gerados na produção ou recolhidos por meio da logística reversa, o mercado de resíduos configura uma oportunidade de economia, que se dá por meio da negociação entre produtores, transportadores e processadores.

Esse mercado, que abre novos caminhos para a aplicação da logística reversa, é considerado por especialistas no setor uma boa alternativa, por duas razões. A primeira é a possibilidade de vender um resíduo que demandaria custos para ser descartado, mas que pode interessar a outras empresas. A segunda razão é a possibilidade de se reciclar os resíduos e aproveitá-los como matéria-prima no ciclo produtivo.

Mercado de resíduos
Mercado de resíduos configura uma oportunidade de economia, que se dá por meio da negociação entre produtores, transportadores e processadores

Determinação política

A fim de ilustrar o grande potencial econômico desse mercado, estimativas divulgadas pelo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), apontam que o mercado global de resíduos, considerando desde a coleta até a reciclagem, gira cerca de 410 bilhões de dólares por ano. Todo esse sistema de comercialização está focado, principalmente, em iniciativas governamentais, cujo maior sucesso tem sido obtido por nações europeias.

O continente que mais movimenta o mercado de resíduos é a Europa, que chega a comercializar, anualmente, 150 bilhões de Euros em resíduos, em diferentes etapas. O destaque é para países como Alemanha e Áustria, que agregaram um novo valor ao lixo por meio de investimento na reciclagem, fortalecimento do mercado de resíduos e associação da determinação política com a conscientização social.

Nesse contexto, também sob demanda e pressão dos governos nacionais, um dos segmentos que mais tem crescido é o de lixo eletroeletrônico. Chama a atenção não apenas pela necessidade de destinar adequadamente os rejeitos eletrônicos, mas pelo grande potencial econômico do segmento, que chega a comercializar por até 500 dólares a tonelada de alguns tipos de detritos.

Mercado de resíduos
Na Europa, um dos segmentos que mais tem crescido é o de lixo eletrônico, cujos materiais agregam valor econômico e voltam à linha de produção

Brasil: um mercado incipiente

No país, o comércio de resíduos ainda é pequeno diante do potencial que apresenta. Algumas iniciativas têm sido desenvolvidas, mas nem todas têm obtido êxito em sua implementação. Um dos exemplos é a rede criada para facilitar as negociações, chamada Bolsas de Resíduos, que chegou a ser instituída por algumas entidades do Sistema Indústria.

As bolsas, que são espaços que reúnem informações das ofertas e procuras de resíduos por empresas cadastradas, prosperaram em poucos estados e em muitos outros acabaram sendo extintas. É o caso de Goiás, onde a Federação das Indústrias (Fieg) despendeu esforços para viabilizar a rede no Estado, mas a falta de mobilização dos envolvidos no mercado acabou resultando no encerramento do projeto localmente.

Gestora do Conselho Temático de Meio Ambiente da Fieg, Elaine Lopes lembra que após grandes investimentos na divulgação, parcerias com instituições públicas e realização de incentivos, o programa acabou sendo desativado pela falta de interesse das indústrias. “Mesmo não havendo custos para adesão, as Bolsas não tiveram procura. O que percebemos é que diversas empresas acabam fazendo sua parte apenas para não serem multadas e não aproveitam as outras possibilidades que esse mercado oferece”, lamenta.

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI), por sua vez, tentou fortalecer o mercado de resíduos por meio da criação do Sistema Integrado de Bolsas de Resíduos Nacional (SIBR). Ativo desde 2009, o SIBR reúne bolsas de vários estados em um só ambiente. No entanto, diante de obstáculos com tributações e desinteresse de adesão, também não obteve o retorno esperado – que não ocorreu nem mesmo após a aprovação da PNRS.

Na contramão de resultados pouco promissores, ainda é possível encontrar Bolsas de Resíduos ativas e empresas legalizadas do setor privado que desenvolvem um papel semelhante de promover a oferta, procura e até leilões de resíduos provenientes de diversos segmentos. Para participar, basta procurar se informar sobre a existência de bolsa em seu estado ou pesquisar por empresas da área na internet e se cadastrar em uma delas.

Logística reversa

Por força da legislação, alguns setores avançaram mais do que outros no processo da destinação ambientalmente adequada dos resíduos da produção, sobretudo aqueles obrigados a proceder na logística reversa, como o de pneus; pilhas e baterias; embalagens e resíduos de agrotóxicos; lâmpadas fluorescentes, de mercúrio e vapor de sódio; óleos lubrificantes automotivos; peças e equipamentos eletrônicos e de informática; e eletrodomésticos.

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