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Propriedades de periculosidade do resíduo

Propriedades de periculosidade do resíduo
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Os resíduos apresentam as seguintes propriedades de periculosidade: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidades e patogenicidade. Confira abaixo as respectivas características

 

Por muitos anos a disposição de resíduos diretamente nos solos era considerado uma prática aceitável. Até então se acreditava que os produtos gerados pela decomposição do resíduo eram completamente dissolvidos no solo e não apresentava uma ameaça de contaminação.

No entanto, após vários estudos sobre as propriedades de periculosidade do resíduo, a saúde e o meio ambiente perceberam que os produtos gerados poderiam causar danos ao solo, recursos hídricos e a saúde humana.

O percolado, popularmente conhecido como chorume, é altamente poluente.

A periculosidade dos resíduos depende dos seguintes fatores: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

Classificação dos resíduos

Preocupados com a contaminação da água subterrânea alguns estudos foram desenvolvidos para evitar a disposição em locais inadequados, que possam causar contaminação do meio ambiente. Como resultados de várias pesquisas nesse campo, os resíduos foram classificados em duas categorias: perigosos e não perigosos.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da Norma Técnica Brasileira (NBR 10.004: 2004) conceitua a periculosidade de um resíduo como uma característica apresentada por um resíduo, que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar:

  1. a)  risco à saúde pública, provocando ou acentuando, de forma significativa, um aumento de mortalidade por incidência de doenças, e ou;
  2. b)  riscos ao meio ambiente, quando o resíduo é manuseado ou destinado de forma inadequada”.

Segundo a NBR 10004:2004 os resíduos são classificados quanto à periculosidade da seguinte maneira:

Resíduos Classe I (Perigosos) – Apresentam risco à saúde pública ou ao ambiente, caracterizando-se por terem uma ou mais das seguintes propriedades: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

Resíduos Classe II A (Não inertes) – Pode ter propriedades como combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, porém não se enquadram como resíduo I ou II B.

Resíduos Classe II B (Inertes) – Não têm nenhum dos seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade de águas.

Características dos resíduos Classe 1 – Perigosos

Os resíduos sólidos Classe I – Perigosos, possuem uma ou mais características como inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade e patogenicidade.

Inflamabilidade

Os resíduos que apresente uma ou mais das características abaixo são classificados como inflamáveis:

– Ser líquido com ponto de fulgor inferior a 60º C, com exceção das soluções aquosas com menos de 24% do volume em álcool. O ponto de fulgor é determinado conforme NBR 14598: 2012;

– Não ser líquido, mas em condições de temperatura de 25ºC e pressão de 01 atmosfera produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou alterações químicas espontâneas, queimando de modo vigoroso e persistente dificultando a extinção do incêndio;

– Ser oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio estimulando a combustão ou aumentando a intensidade do fogo em outros materiais;

– Ser gás comprimido inflamável de acordo com as regras para o transporte de produtos perigosos.

Corrosividade

 

Os resíduos são considerados corrosivos quando apresentar uma ou mais das seguintes características:

– Ser aquoso e apresentar PH inferior ou igual a 2, superior ou igual a 12,5 e quando misturado com água na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução com PH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5;

– Ser líquido e quando misturado com água na proporção em peso, produzir corrosão no aço maior que 6,5 mm/ano em temperatura de 55º C.

Toxicidade

Toxidade é a propriedade que o agente tóxico possui de provocar um efeito adverso em consequência de sua interação com o organismo seja por inalação, ingestão ou absorção cutânea.

Os resíduos são classificados como tóxicos quando apresentam uma ou mais destas características:

– Possuir contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F da NBR 10004/2004;

– Possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C da NBR 10004/2001;

– Apresentar toxicidade avaliada de acordo com os seguintes critérios: natureza da toxicidade apresentada; concentração dos constituintes tóxicos; potencial do constituinte ou produtos tóxicos de sua degradação em migrar para o meio ambiente em condições impróprias de manuseio; persistência do constituinte ou produtos tóxicos de sua degradação; potencial do constituinte ou produtos tóxicos de sua degradação em produtos não perigosos, considerada a velocidade da degradação; extensão em que o constituinte ou produtos tóxicos de sua degradação causam bioacumulação nos ecossistemas; efeitos nocivos por agentes teratogênicos, mutagênicos, carcinogênicos ou ecotóxicos de substâncias isoladas ou decorrentes da sinergia entre os constituintes do resíduo.

Reatividade

 

Os resíduos são reativos quando forem instáveis, reagirem de forma violenta e imediata sem detonar e com a água ou quando formarem misturas potencialmente explosivas em contato com a água.

Também, quando misturados à água, gerarem gases, vapores ou fumaças tóxicas, provocando danos à saúde publica ou ao meio ambiente.

Se confinados e produzirem explosões ou detonações sob estímulo, ações catalíticas ou temperatura ambiente também são considerados resíduos reativos.

Patogenicidade

Os resíduos que contêm microorganismos associados a doenças, proteicas virais, ácidos desoxirribonucleicos (DNA) ou ribonucleicos (RNA), organismos geneticamente modificados, plasmídeos, cloroplastos, mitocôndrias e/ou toxinas capazes de alterarem as condições normais de saúde em seres humanos, animais e vegetais são considerados resíduos patogênicos.

Os resíduos que mais se encaixam nessa categoria são os provenientes dos serviços de saúde, assim como laboratórios, empresas, universidades e outras atividades que produzem uma ou mais das cinco categorias em que são enquadrados pela Resolução da ANVISA, nº 306/2004 e Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, nº 358/2005.

Gerenciamento de resíduo com propriedades de periculosidade

 

 A classificação dos resíduos em relação a suas propriedades de periculosidade é o primeiro passo para estruturar um plano de gestão de resíduos adequado. Somente a partir da classificação será possível definir as etapas de coleta, armazenagem, transporte, manipulação e destinação final, de acordo com cada tipo de resíduo gerado.

Em decorrência das exigências legais as empresas devem cumprir as legislações referentes à disposição e destinação adequada do resíduo classificado como perigoso.

Ao implantar a norma ISO 14001, umas das etapas é o gerenciamento de resíduos sólidos, que tem como objetivo: eliminar a geração através de mudanças tecnológicas, substituição de matérias primas ambientalmente corretas, e insumos; tratar o resíduo; reaproveitar e; dispor adequadamente em aterros sanitários e industriais.

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