Qual a diferença entre reciclagem e reutilização?

Reutilizar ou reciclar? Eis a questão!

Descobrir a melhor forma de destinação para os resíduos gerados nos processos produtivos e no consumo se tornou nos últimos anos um dos principais questionamentos de empresas, governos e da própria população.

Muitas questões como a diferença entre reciclagem e reutilização e principalmente qual delas seria a melhor forma de destinação para os resíduos têm tomado destaque em diversas organizações.

No tocante a diferença entre a reciclagem e reutilização, a resposta é clara:

Reciclagem consiste na separação e recuperação de materiais usados e descartados, que podem ser transformados novamente em matéria prima e incorporados novamente no processo produtivo.

Já a Reutilização é o uso de um produto por mais de uma vez, independentemente de ser na mesma função ou não.

Entretanto, responder qual delas seria a melhor forma de destinação exige uma análise aprofundada.

Considerando a reciclagem no Brasil

Considerando a reciclagem de alumínio temos que um quilo de alumínio possibilita a economia na extração de cerca de quatro quilos do minério bauxita. Já o processo de reciclagem utiliza cerca de apenas 7% da energia elétrica utilizada na produção primária do alumínio.

De acordo com os dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2016 a relação entre o volume de alumínio reciclado e o consumo doméstico em 2016 foi de 38,5%, conferindo ao país uma posição de destaque internacional principalmente pela eficiência no ciclo de reciclagem, cuja média mundial em 2014 foi de 27,1%.

Em 2015, o Brasil reciclou 602 mil toneladas de alumínio evitando a extração de aproximadamente 2.400 toneladas de minério de bauxita, além de custos consideráveis com energia logo após um ano em que o país enfrentou uma das maiores crises hídricas, com significativo aumento no valor da energia elétrica.

O Brasil também manteve a liderança mundial nas atividades de reciclagem do segmento de latas de alumínio para envase de bebidas; em 2015, atingiu o índice de 97,9%, que corresponde a 292,5 mil toneladas recicladas (49% do total de alumínio reciclado no país), seguido pelo Japão com 77,1% e Estados Unidos com 64,3%.

Plástico e a reciclagem

Já a reciclagem de plástico no Brasil é realizada na indústria que converte esses materiais após o consumo em grânulos passíveis de serem utilizados na produção de novos artefatos. Dentre os diversos tipos de plásticos utilizados, os dados disponíveis indicam que a reciclagem de PET diminuiu em 2015 com um índice de 51%.

A utilização de garrafas retornáveis se mostrou uma excelente forma de reutilização com significativa contribuição em termos de sustentabilidade. Para se ter uma ideia, um único vasilhame pode ser usado até 20 vezes antes de virar resíduo para reciclagem. Ao reutilizar uma garrafa 20 vezes, as empresas evitam a fabricação de outras 19.

Após a coleta das garrafas, estas embalagens passam por avaliação, de modo que garrafas com graves defeitos são enviadas para reciclagem, já as demais retornam para as fábricas, onde são novamente testadas e higienizadas para o reuso.

Fabricantes das bebidas mais consumidas no país estão investindo cada vez mais nas garrafas retornáveis e estimulando os consumidores a optarem por estas. A economia das empresas e do consumidor também entra na conta, a redução de custos no ponto de venda pode chegar a até 30%, na produção o corte de gastos também é representativo.

A Ambev, por exemplo, instalou em diversos pontos de vendas pelo país, máquinas coletoras de vasilhames. O consumidor pode ir a qualquer momento no supermercado, depositar suas garrafas e imprimir um tíquete correspondente ao desconto concedido conforme o número de garrafas devolvidas.

Outro fator de considerável relevância é que a quantidade de gás carbônico (CO2) emitido e de energia utilizadas na fabricação destes produtos chegam a ser 50% menor em comparação ao PET não retornável.

PNRS: Política Nacional de Resíduos Sólidos

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) se mostra muito atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ligados a gestão de resíduos no país.

A PNRS preconiza a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática a conscientização, sensibilização e mudança de hábitos de consumo com vista nas melhores práticas sustentáveis. Além disso, a PNRS busca fomentar instrumentos que propiciem o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).

Uma importante definição da PNRS é a responsabilidade compartilhada do ciclo de vida dos produtos. Isso é – institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na Logística Reversa dos resíduos e embalagens pós-consumo.

A logística reversa em números

Em 2016, aproximadamente 44.528 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas foram destinadas de forma ambientalmente correta em todo o país, representando 94% do total das embalagens primárias comercializadas, das quais 90% das embalagens foram enviadas para reciclagem e 4% para incineração.

Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), foi fundado em 2001 para realizar a gestão pós-consumo das embalagens vazias de agrotóxicos, de acordo com a Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal nº 4.074/2002 e para tanto opera o programa denominado Sistema Campo Limpo com a finalidade de realizar a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas em todas as regiões do Brasil.

Outra entidade de importante relevância é a entidade gerenciadora da logística reversa de pneumáticos inservíveis (ANIP) que representa os fabricantes nacionais desses produtos. A logística reversa promovida pela RECICLANIP se estende a todas as regiões do país, impulsionada principalmente pela Resolução CONAMA Nº 416/2009, que estabeleceu a obrigatoriedade da presença de pontos de coleta de pneus inservíveis nos municípios com população acima de 100 mil habitantes.

Desde o início do programa, em 1999, até o final de 2016 foram coletados e destinados quase 4,2 milhões de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a 835 milhões de pneus de carro de passeio. Os pontos de coleta de pneus inservíveis nos municípios brasileiros eram 85 em 2004, e atingiram 1.025 estabelecimentos em 2016.

Outro exemplo de logística reversa, porém com viés simbiótico é o Programa Mineiro de Simbiose Industrial (PMSI) desenvolvido pela FIEMG em parceria com a FEAM (Fundação Estadual de Meio Ambiente) e com o CMRR (Centro Mineiro de Referência em Resíduos) aos moldes do programa britânico NISP (National Industrial Symbiosis Programme), cujo objetivo é promover interações lucrativas entre empresas de todos os setores da indústria. Estabelecendo negócios a partir dos recursos utilizados nos processos de produção. Ou seja, energia, água e materiais provenientes das indústrias que são recuperados, reprocessados e reutilizados por outras empresas.

Reciclar e reutilizar não são formas de destinação concorrentes!

Pelo contrário, são formas de destinação complementares que devem ser aprimoradas logisticamente e tecnologicamente. Visando integrar de forma simbiótica as são formas satisfatórias para a destinação de resíduos. De modo que possibilitam a melhor gestão e aproveitamento de resíduos possíveis, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Se sua organização deseja integrar sistemas simbióticos de logística reversa e/ou realizar a adequada gestão de resíduos, o VGresíduos pode ser a melhor opção custo beneficio.  A ampla e consolidada experiência do grupo Verde Ghaia conferem a seus clientes maior seguridade e comodidade com atendimento inovador, resolutivo e online.

Algumas matérias que podem te interessar

© VG Residuos Ltda, 2019