Como realizar corretamente o tratamento de efluentes industriais?

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Como realizar corretamente o tratamento de efluentes industriais?
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tratamento dos efluentes industriais

O correto tratamento dos efluentes industriais é um tema comum quando se trata de destinação de resíduos. Isso porque o uso da água pelas indústrias é intenso e casos de poluição de rios e mananciais, seja por acidentes, seja por ação negligente são intensamente abordados nos noticiários quando chegam a ocorrer.

Realizar corretamente o tratamento de seus efluentes é dever de toda indústria e no artigo de hoje. Vamos tratar mais deste tema e explicar melhor como o processo funciona.

O que são efluentes industriais?

Efluente industrial é basicamente água, porém não é a mesma água utilizada nas residências e edifícios comerciais. Neste caso é a água residual de processos produtivos industriais. As indústrias utilizam água em diversos processos, seja para incorporar aos seus produtos, seja para lavagem de equipamentos e fábricas, tratamentos químicos, biológicos e etc.

A água que sobra dos processos industriais é conhecida como efluente industrial e deverá passar por tratamento antes de ser devolvida aos corpos hídricos (rios, lagos, etc.)

A necessidade do licenciamento ambiental

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Muitas industrias realizam o tratamento de efluentes industriais em estações próprias. Porém industrias menores na maior parte dos casos realiza o serviços através de terceiros. Esses possuem equipamentos especializados para o condicionamento da água para descarte nos corpos hídricos.

No tratamento próprio, o licenciamento é necessário. Mas em especial no caso de tratamento com terceiros, o monitoramento das licenças ambientais é arte importantíssima do processo, uma vez que sem a licença adequada, a empresa poderá estar aplicando um tratamento incorreto ao resíduo. E em caso de fiscalização ou até mesmo acidentes, a organização geradora poderá ser solidariamente responsabilizada.

Uma das funções do VG Resíduos é o monitoramento das licenças ambientais dos prestadores de serviço. Assim, quando um prestador estiver com a licença se aproximando da data de vencimento, o sistema avisará. E em caso de a licença já ter vencido, o carregamento não será permitido pelo software.

O que é CADRI?

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O CADRI é um certificado. A CETESB (agência do estado de São Paulo) usa para monitorar o tratamento de resíduos perigosos (CLASSE I) e não perigosos não inertes (CLASSE II) dentro do estado de São Paulo.

Assim, todas as empresas que realizam a destinação de efluentes industriais no estado de São Paulo precisam verificar se a quantidade enviada ao tratador é permitida pelo CADRI. Logo,  o estado pode controlar tanto as licenças dos prestadores quanto a quantidade de resíduos por eles tratada.

A legislação sobre efluentes industriais também é mais rígida e exige das empresas atenção especial. Principalmente quanto ao monitoramento das práticas de seus prestadores de serviço, pois em caso de acidentes, poderá haver responsabilização solidária da companhia geradora do resíduo.

Como é realizado o tratamento dos efluentes industriais

O tratamento dos efluentes industriais é necessário quando há água residual no processo. Ou seja, os líquidos não foram incorporados aos produtos ou não se perderam por evaporação.

O tratamento adequado a cada tipo de efluente deverá ser indicado por um técnico especializado após a realização de coleta de amostras do material para seu diagnóstico.

O tratamento do efluente será indicado a partir de sua carga orgânica, presença de contaminantes, carga tóxica dos materiais, presença de sólidos e componentes químicos na composição.

Os processos de tratamento são divididos em: físicos, químicos e biológicos. Podem existir mais de um processo para um determinado tipo de efluente. Vamos explicar um pouco mais sobre como deve ser realizado o tratamento em cada processo:

Processos físicos:

Em geral envolvem a separação de sólidos presentes no efluente. São indicados para este processo os efluentes que possuem materiais sujeitos à sedimentação, flutuação ou suspensão. Como exemplo podemos citar a água misturada ao óleo. Neste caso, os contaminantes serão removidos por métodos como filtração, decantação, peneiração ou extração por caixas separadoras.

Há também procedimentos específicos como aplicação de radiação e luz ultravioleta para a destruição das partículas contaminantes.

Processos químicos

São aqueles que utilizam técnicas que alterarão de alguma forma a composição molecular do efluente. Eles separam o composto contaminante da água. Em geral são usados produtos que atuam como agentes de coagulação, floculação, normalização do PH e desinfeção em geral do efluente.

Os principais processos químicos são: clarificação, eletrocoagulação, precipitação, cloração, oxidação, redução e troca iônica. Além dos citados, existem diversos outros métodos. Porém são menos comuns e aplicados à efluentes com algum tipo de contaminação muito específica.

Processos biológicos

Os processos biológicos de tratamento de efluentes basicamente realizam a remoção de matéria orgânica dissolvida, flutuante ou em suspensão no líquido a ser tratado. O tratamento deverá retirar o potencial contaminante do efluente, ou seja, matéria orgânica e carga bacteriana que possa afetar os corpos d’água. O processo biológico geralmente transforma a matéria indesejada em material flutuante, sedimentado ou em gases.

Os principais processos biológicos de tratamento de efluentes são: processos aeróbios, como lodos ativados em geral; processos facultativos, como o uso de biofilmes; processos anaeróbios, como lagoas anaeróbias e biodigestores, nos quais a decomposição da matéria orgânica ocorre sem a presença de oxigênio.

Uma vez que o processo correto foi identificado e aplicado, o efluente pode ser conduzido ao corpo d’água mais adequado para seu descarte.

O tratamento de efluentes industriais é um processo delicado, em função do risco ambiental apresentado por este tipo de material, que é muito diferente daquele apresentado pelos resíduos sólidos, uma vez que estes são mais fáceis de serem separados e acondicionados na destinação correta.

A maneira mais adequada de se evitar problemas neste meio é monitorar as licenças ambientais e sempre coletar o certificado de destinação final do material, pois ele servirá como documento comprobatório da isenção de responsabilidade da empresa geradora para com o material em questão.

 

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