Entenda a diferença entre resíduos inertes e não inertes

Entenda a diferença entre resíduos inertes e não inertes
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A norma NBR 10004/04 da ABNT dispõe sobre a classificação dos resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública para que sejam gerenciados adequadamente. A Classificação se baseia nas características dos resíduos perigosos, inertes e não inertes.

Primeiramente realiza a caracterização dos resíduos sólidos, com base na norma NBR 10004/04. A caracterização se baseia no aspectos físico-químicos, biológicos, qualitativo e/ou quantitativo das amostras. De acordo com a caracterização, promove a classificação para auxiliar na escolha correta da destinação do mesmo. Com esses processos bem executados cumpre-se a Lei 12.305/2010, da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e a norma NMR 10004/04.

Leia também: Qual a forma mais indicada para destinação dos resíduos inertes?

Classificação dos resíduos sólidos

Após a caracterização dos resíduos sólidos, é realizado a classificação que envolve a identificação da atividade que gerou determinado resíduo, além dos constituintes e características.

A norma NBR 10004/04 da ABNT aborda a classificação dos resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública para que sejam gerenciados adequadamente. Confira a classificação de acordo com a norma:

1. Resíduos Classe I – Perigosos

Os resíduos considerados perigosos são aqueles que tem características que podem colocar em risco as pessoas que os manipulam ou que tem contato com o resíduo perigoso.

Para um resíduo ser considerado perigoso, esses resíduos devem apresentar pelo menos uma das características: inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade e/ou patogenicidade.

A NBR 10004/04 aponta critérios específicos para o profissional capacitado classifique e avalie cada propriedade dos resíduos, de maneira que, se enquadrados como perigosos, sejam tomadas as devidas providencias para ter mais cuidado com o transporte e a correta destinação desses materiais.

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2. Resíduos não perigosos não inertes (Classe II A)

São resíduos que não se apresentam como inflamáveis, corrosivos, tóxicos, patogênicos, e nem possuem tendência a sofrer uma reação química. Contudo, não se pode dizer que esses resíduos classe II A não trazem perigos aos seres humanos ou ao meio ambiente.

Os materiais desta classe podem oferecer outras propriedades, sendo biodegradáveis, comburentes ou solúveis em água.

Resíduos dessa classificação merecem a mesma cautela para destinação final e tratamento do resíduo de classe I.

3. Resíduos não perigosos inertes (Classe II B)

Os resíduos dessa classificação não tem nenhuma das características do resíduos de classe I.

Porém, se mostram indiferentes ao contato com a água destilada ou desionizada, quando expostos à temperatura média dos espaços exteriores dos locais onde foram produzidos.

Com isso, não apresentam solubilidade ou combustibilidade para tirar a boa potabilidade da água, a não ser no que diz respeito à mudança de cor, turbidez e sabor, seguindo os parâmetros indicados no Anexo G da NBR 10004/04.

Vejamos abaixo, exemplos de possíveis classificações dos resíduos sólidos.

OrigemPossível ClassificaçãoResponsável
Domiciliar2Prefeitura
Comercial2, 3Prefeitura
Industrial1, 2, 3Gerador do resíduo
Público2, 3Prefeitura
Serviços de saúde1, 2, 3Gerador do resíduo
Portos, aeroportos e terminais ferroviários1, 2, 3Gerador do resíduo
Agrícola1, 2, 3Gerador do resíduo
Entulho3Gerador do resíduo

Saiba mais: Tudo que você precisa saber sobre resíduos de Classe IIA e IIB

Falando mais sobre os resíduos não inertes

São resíduos com as mais variadas formas, podendo ser líquidos, gasosos, e, sólidos, que mesmo não tendo capacidade de destruição ou contaminação, podem sujar o solo, rios e atmosfera. Eles podem ser tratados, e também podem ficar inativos por muito tempo.

Esses resíduos podem ser solúveis em água, mas também podem ser capazes de pegar fogo, tendo capacidade de combustão. Geralmente, tem características semelhantes aos do lixo doméstico.

Exemplos desse tipo de resíduos são: plásticos, garrafas PET. Os resíduos inertes não causam contaminação profunda, mas podem ser responsáveis pela grande quantidade de entulhos que entalam os bueiros nas grandes cidades, podem contaminar rios, e causando mortes na vida natural.

O tratamento para esse resíduo é o mais simples, sendo portanto, recolhido e tratado de maneira adequada por empresas privadas ou mesmo públicas. Acontece de serem abandonadas em aterros controlados, e sendo manuseados por catadores, e mexidos por animais locais, como: urubus, cachorros.

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Agora, sobre os resíduos inertes

Resíduos inertes tem características de não se decomporem e de não sofrerem alteração da sua composição com o passar o tempo. Exemplo desses resíduos: entulhos de demolição, pedras, areia, sucatas de ferro. Também são inertes: madeiras, isopor, borrachas, latas de alumínio e vidros.

Esses resíduos podem ser dispostos em aterros sanitários e até mesmo reciclados. Esses resíduos não poluem porque não alteram o solo e nem as águas, tendo em vista que quando em contato com ambos não são liberadas substâncias que prejudiquem o meio ambiente.

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Construção Civil

Mesmo com uma quantidade enorme de entulhos da construção civil, que pertencem à classe de resíduos inertes, o Brasil ainda possui poucos aterros legalizados. Uma Pesquisa Nacional de Saneamento Básico feita pelo IBGE, em 2002, mostrou que de um total de 8.381 distritos nacionais, apenas 10% têm aterros de resíduos especiais.

As Áreas de Transbordo e Triagem (ATT) recebem e separam os resíduos de obra que geralmente chegam misturados nas caçambas. Em seguida, destinam corretamente cada um dos resíduos para empresas recicladoras, aterros de resíduos da construção civil ou para áreas de reciclagem deste tipo de material. A Resolução CONAMA 307/2002 e a NBR 15113 tratam da gestão de resíduos da construção civil e da execução de aterros para esse fim.

Cumprimento da legislação através do Sistema de Gestão Ambiental

É de conhecimento que o empreendimento que não cumpre com as exigências legais está sujeito às autuações de instituições como o IBAMA, órgão fiscalizador estadual, Ministério Público, Prefeitura e Polícia Ambiental, arriscando-se a arcar com medidas severas, ou até mesmo paralisação das atividades. Pode ainda ser alvo de denúncias por parte de comunidades do entorno.

Com a implantação da norma ISO 14001 em sua nova versão 2015, uma das etapas será o gerenciamento de resíduos sólidos, visando assim:

  • Eliminação da geração: através de mudanças tecnológicas, substituição de matérias primas ambientalmente corretas, e insumos;
  • Tratamento: aplicação de processos físicos, químicos, térmicos;
  • Reaproveitamento: reutilização, recuperação como subproduto, reciclagem ou devolução do fornecedor;
  • Disposição adequada em aterros sanitários e industriais;
  • Diminuição da geração através de melhorias no processo e otimização da operação.

O Gerenciamento de resíduos consiste em classificar, quantificar, indicar formas corretas para segregação e identificação da origem, dos resíduos gerados por: área/unidade/setor industrial. Para isso, deve-se implantar a NBR 10004, dentro da Norma ISO 14001 2015.

Para o cumprimento de toda legislação nos âmbitos federal, estadual e municipal, a certificação ISO 14001 2015 tem um processo com cinco etapas: solicitação do registro, revisão da documentação do Sistema de Gestão Ambiental, diagnóstico do local, auditoria ISO 14001, e, finalmente a certificação.

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Se quiser aprofundar mais sobre o assunto leia este outro artigo do blog: 5 dicas para sua empresa gerar renda com a reciclagem de papelão

One thought on “Entenda a diferença entre resíduos inertes e não inertes

  1. Olá estes enformativos estar muito bom,pois estou terminando o curso técnico em saneamento no ifba e meu tema de t.c.c. é resíduos sólidoa de construção civil,estou interecado nesta materia.

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