Lixiviação e Solubilização de Resíduos Sólidos

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22/03/2021

Lixiviação e Solubilização de Resíduos Sólidos

Lixiviação de resíduos sólidos refere-se à capacidade de transferência de substâncias orgânicas e inorgânicas presentes neles, por meio de dissolução no meio extrator. Solubilização de resíduos sólidos é a operação que tem o objetivo de diluir substâncias contidas neles, por meio de lavagem em meio aquoso. Entenda, neste artigo, como esses dois processos podem auxiliar sua empresa no gerenciamento de resíduos.

A quantidade de resíduos sólidos gerados é uma crescente preocupação, uma vez que os números têm subido ao longo dos anos. Em 2018 totalizou 79 milhões de toneladas de resíduos produzidos, cuja coleta chegou a 92% desse total, dos quais 59,5% do coletado foram dispostos em aterros sanitários.

A população brasileira produz em média 1 kg por dia, segundo informações da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O país ocupa a quarta posição entre as nações que mais geram resíduos sólidos do mundo.

Por todas essas razões, adotar medidas de gerenciamento dos resíduos tem sido uma constante necessidade das empresas, do Governo e da população. Para facilitar o processo de gerenciamento, é necessário que a classificação dos materiais seja feita de forma adequada e coerente.

É para isso que os processos de lixiviação e solubilização dos resíduos é fundamental.

Veja abaixo o que abordaremos neste artigo:

Antes de compreender mais sobre os dois termos, é necessário entender melhor o assunto.

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Processo de separação dos resíduos sólidos

É importante saber que um resíduo sólido é um material definido como sólido ou semissólido que pode ser resultante de diferentes origens como industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

Para aperfeiçoar o processo de classificação dos resíduos sólidos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atualizou a norma NBR 10004, proporcionando uma versão mais atual de 2004.

Nessa nova versão, a norma prevê a segregação dos resíduos na fonte de origem, ou seja, onde é gerado o resíduo.

A identificação da sua origem são partes integrantes dos laudos de classificação, onde a descrição de matérias-primas, de insumos e do processo no qual o resíduo foi gerado devem ser explicitados.

Segregar, assim como a própria palavra já diz, é separar os resíduos de acordo com suas características físicas, químicas, biológicas e radiológicas, bem como de acordo com seu estado físico (sólido e líquido) e ainda forma química.

Portanto, a classificação e caracterização são sempre muito importante para a realização de uma adequada segregação dos resíduos, o que irá evitar possíveis acidentes tanto na fase de separação, quanto nas etapas seguintes, de armazenamento, coleta, transporte e destinação final.

A segregação dos resíduos é um requisito necessário para o cumprimento da legislação ambiental e para a manutenção das certificações ambientais.

A segregação dos resíduos deve ser realizada no momento de sua formação e no local de sua geração, já que é a etapa primária que definirá toda a logística para o gerenciamento correto do resíduo.

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Tipos de classificação dos resíduos sólidos

Tipos de classificação dos resíduos sólidos

Os resíduos sólidos podem ser classificados como perigosos e não perigosos. Após essa primeira separação existe outras subdivisões. Confira abaixo as classes de resíduos:

a) resíduos classe I - Perigosos; b) resíduos classe II – Não perigosos;

– resíduos classe II A – Não inertes.

– resíduos classe II B – Inertes.

Quanto aos perigosos, eles subdividem a partir de:

Resíduos classe I – Perigosos

Inflamabilidade:

a) ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado conforme ABNT NBR 14598 ou equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume;

b) não ser líquida e ser capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm), produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas e, quando inflamada, queimar vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo;

c) ser um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material;

d) ser um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos perigosos (Portaria nº 204/1997 do Ministério dos Transportes).

Corrosividade

a) ser aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou, superior ou igual a 12,5, ou sua mistura com água, na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5;

b) ser líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, produzir um líquido e corroer o aço (COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com USEPA SW 846 ou equivalente.

Reatividade

a) ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar;

b) reagir violentamente com a água;

c) formar misturas potencialmente explosivas com a água;

d) gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública ou ao meio ambiente, quando misturados com a água;

e) possuir em sua constituição os íons CN ou S2- em concentrações que ultrapassem os limites de 250 mg de HCN liberável por quilograma de resíduo ou 500 mg de H2S liberável por quilograma de resíduo, de acordo com ensaio estabelecido no USEPA -SW 846.

Reatividade

f) ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou temperatura em ambientes confinados;

g) ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição detonante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa (1 atm);

h) ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, através de explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para este fim.

Toxidade

a) quando o extrato obtido desta amostra, segundo a ABNT NBR 10005, contiver qualquer um dos contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F. Neste caso, o resíduo deve ser caracterizado como tóxico com base no ensaio de lixiviação, com código de identificação constante no anexo F;

b) possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C e apresentar toxicidade.

Para avaliação dessa toxicidade, devem ser considerados os seguintes fatores:

― natureza da toxicidade apresentada pelo resíduo.

― concentração do constituinte no resíduo;

― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para migrar do resíduo para o ambiente, sob condições impróprias de manuseio;

― persistência do constituinte ou qualquer produto tóxico de sua degradação;

― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para degradar-se em constituintes não perigosos, considerando a velocidade em que ocorre a degradação;

― extensão em que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, é capaz de bioacumulação nos ecossistemas;

― efeito nocivo pela presença de agente teratogênico, mutagênico, carcinogênico ou ecotóxico, associados a substâncias isoladamente ou decorrente do sinergismo entre as substâncias constituintes do resíduo.

c) ser constituída por restos de embalagens contaminadas com substâncias constantes nos anexos D ou E;

d) resultar de derramamentos ou de produtos fora de especificação ou do prazo de validade que contenham quaisquer substâncias constantes nos anexos D ou E;

e) ser comprovadamente letal ao homem;

f) possuir substância em concentração comprovadamente letal ao homem ou estudos do resíduo que demonstrem uma DL50 oral para ratos menor que 50 mg/kg ou CL50 inalação para ratos menor que 2 mg/L ou uma DL50 dérmica para coelhos menor que 200 mg/kg.

Patogenicidade

Um resíduo é caracterizado como patogênico se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, contiver ou se houver suspeita de conter, microorganismos patogênicos, proteínas virais, ácido desoxirribonucleico (ADN) ou ácido ribonucleico (ARN) recombinastes, organismos geneticamente modificados, plasmídios, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doenças em homens, animais ou vegetais. Os resíduos de serviços de saúde deverão ser classificados conforme ABNT NBR 12808.

Resíduos classe II - Não perigosos

Resíduos classe II A - Não inertes

Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe II B- Inertes, nos termos desta Norma.

Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.

Resíduos classe II B - Inertes

Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.

O que é Lixiviação e solubilização de resíduos sólidos?

O que é Lixiviação e solubilização de resíduos sólidos

A lixiviação e solubilização de resíduos sólidos são processos que ajudam a identificar a maneira de dissolução de determinado resíduo no meio ambiente ou na água.

Então:

Solubilização: procedimento em que a substância ou produto pode dissolver em um líquido. É um mecanismo de dissolução de um determinado material ou produto.

Lixiviação: processo para análise da capacidade de transferência de substâncias orgânicas e inorgânicas presentes no resíduo, por meio de dissolução no meio extrator.

Os resíduos são classificados geralmente segundo o comportamento do resíduo em contato com um solvente. Portanto a lixiviação é um método muito utilizado para diagnosticar quanto desse material será transferido para o meio natural.

Para realizar essa análise, usam-se ensaios de lixiviação para determinar ou avaliar a estabilidade química dos resíduos. Ou seja, quando em contato com soluções aquosas, permitindo assim verificar o grau de imobilização de contaminantes.

Processos de Lixiviação e Solubilização a partir das normas ABNT NBR 10005 e ABNT NBR 10006:2004

A norma 10005:2004 da ABNT promove e descreve o procedimento para obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos. O intuito da norma é fixar os requisitos necessários para a obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos. Ou seja, para diferenciar os resíduos classificados pela ABNT NBR 10004 como classe I – perigosos - e classe I – não perigosos citados acima.

É importante compreender que os resíduos tidos como perigosos agridem ao meio ambiente e pode ser nocivos para os seres humanos, enquanto os não perigosos não apresentam riscos.

Entenda abaixou alguns dos requisitos da norma 10005:2004 no que tange a lixiviação dos resíduos:

4.1 Aparelhagem e vidraria

4.1.1 Agitador rotatório de frascos, que seja capaz de:

a) evitar estratificação da amostra durante a agitação; b) submeter todas as partículas da amostra ao contato com o líquido extrator; c) garantir agitação homogênea de (30 ± 2) rpm, medida de ponto a ponto do frasco durante o período de funcionamento do agitador.

Já a ABNT NBR 10006:2004 estipula as fases do processo para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos. A norma propõe os requisitos exigíveis para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos, visando diferenciar os resíduos classificados na NBR 10004 como classe II A - não inertes - e classe II B - inertes.

Como explicado anteriormente os resíduos não inertes eles dissolvem na água e são biodegradáveis, mas não são inertes. Enquanto os não inertes podem dissolver na água e não alterar a sua composição.

Entenda a importância da lixiviação e da solubilização

A lixiviação e a solubilização auxiliam no processo de classificação dos resíduos.

Essa classificação é necessária e crucial porque a partir da divisão é possível compreender que tipo de riscos os resíduos podem gerar para a natureza e à saúde da população.

É válido também como forma de descobrir o melhor método de gerenciamento e destinação dos materiais sólidos a partir da lixiviação e da solubilização.

Quando esses processos não ocorrem de forma correta, podem ocasionar sérios danos como a morte de animais terrestres e aquáticos pela disposição dos resíduos em locais inadequados.

Como promover os processos de lixiviação e solubilização nos resíduos minha empresa?

VG Resíduos, startup do Grupo Verde Ghaia, auxilia as empresas a promoverem a gestão de resíduos segundo as normas ISO 14001 e outras regulações concernentes ao sistema de gestão ambiental, além das leis vigentes.

Gerenciar é planejar, executar, verificar e agir em todas as etapas referentes a uma determinada atividade ou processo. Com resíduos não é diferente, planeja-se, executa-se e verificam-se os procedimentos para todas as etapas que irão ocorrer após a geração, que são: segregação, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação ou disposição final.

O gerenciamento de resíduos de forma eficiente e adequada ode ser feita com auxilio de um software especializado de Gestão de Resíduos.

O software permite que as empresas gerenciem e reduzam seus resíduos, garantam conformidade ambiental e aprimorem seu desempenho ambiental. O sistema, através de um mecanismo automático, gerencia o ciclo de vida dos resíduos, desde a sua geração, armazenamento, transporte, até chegar à sua disposição final.

A solução da VG Resíduos é um software excelente para atender às necessidades da organização relacionadas à gestão dos resíduos gerados, armazenados, transportados, tratados e que recebem a disposição final.

Através do software online a empresa tem acesso a um mecanismo automático, que gerencia o ciclo de vida completo dos resíduos, iniciando na sua geração até chegar em sua disposição final.

A solução VG Resíduos facilita o cumprimento dos regulamentos ambientais através da padronização e organização de toda a documentação.

Também, através do software online, são gerados automaticamente formulários para coleta de registros de todos os dados essenciais de cada tipo de resíduo, como: destinadores, transportadores, unidades geradoras, etc.

Portanto, caso sua empresa precise melhorar a classificação, separação e disposição dos resíduos, converse com nossa equipe e entenda de que maneira é possível resolver essa questão e ainda lucrar com os resíduos.

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Gerenciamento de resíduos

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