Entulho: Do Problema à Solução

Entulho: Do Problema à Solução
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O entulho, também conhecido como caliça ou metralha, é um problema muito antigo. Desde que as civilizações começaram a se reunir em cidade, a construção tem sido essencial para organização, defesa e conforto da sociedade.

A construção civil ajudou a produzir todas as estruturas necessárias para o desenvolvimento da sociedade moderna. No entanto, ela também foi responsável por construir um novo dilema: Como construir sem produzir entulho?

O que fazer com o entulho produzido na construção civil?! Como reduzir a geração de entulho? Ou qual a destinação final com menor custo-benefício para a construtora e para o meio ambiente?

Com o crescimento das cidades, estas questões foram ganhando maiores proporções; e urgência em sua solução. No Brasil, a construção civil representa cerca de 10% do PIB nacional e emprega mais de dois milhões de pessoas, de forma direta e indireta.

Mas o setor da construção civil também expressa números significativos de pressão sobre os recursos naturais. Estima-se que a construção civil seja responsável pelo uso de 20 à 50% de todo os recursos naturais consumidos pela sociedade.

A produção de entulho de uma cidade grande chega a ser duas vezes maior com a produção do lixo urbano. De acordo com Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção e Demolição (Abrecon), o Brasil produz cerca de 84 milhões de metros cúbicos de resíduos de construção civil e demolição por ano.

Se todo o entulho produzido no Brasil fosse totalmente reciclado, seria produzida matéria prima suficiente para construir um prédio de dez andares; para 168 mil quilômetros de estradas ou 3,7 milhões de casas populares.

Sem dúvida é muito recurso para ser desperdiçado. Deve ser lembrado também que, cada sobra de uma obra teve um custo financeiro e ambiental.

Portanto, jogar fora esse recurso, antes que ele complete seu ciclo de vida, é um prejuízo para o ambiente e para o seu bolso.

Primeiros Passos para a Solução do Dilema no Brasil

Nos últimos anos, o mercado de reciclagem de resíduos de construção e demolição (RCD) tem experimentado um crescimento expressivo. Ainda que o percentual de reciclagem seja baixo (5% do total produzido) a reciclagem e reaproveitamento de restos de obras não são raras entre as construtoras.

A principal explicação para o crescimento de práticas de reciclagem e reaproveitamento dos entulhos, produzidos pela construção civil ou demolições é o surgimento novas leis e normas ambientais.

O primeiro grande impulso veio em 2002, quando o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) aprovou a Resolução no 307. Nesta resolução, o CONAMA estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão de resíduos da construção civil.

De forma geral, o CONAMA criou responsabilidades para toda a cadeia envolvida: geradores, transportadores, receptores e municípios. Resultado: iniciou-se um ciclo de novos procedimentos e atividades controladas.

A Resolução no 307 estabeleceu também necessidade de um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Estabeleceu ainda as etapas desse plano: identificação do resíduo e quantidade, triagem quanto à classe dos resíduos (descrita no art.3º da resolução), acondicionamento, transporte; e destinação.

Segundo a Resolução no 307, alterada pela Resolução 448/12, os resíduos da construção civil devem ser classificados e destinados como descrito na figura abaixo :

Outra grande contribuição para o delineamento da Gestão ambiental no Brasil foi a Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305/2010. Com leis cada vez mais exigentes, tem crescido também o número de empresa que buscam a Certificação de Gestão ambiental.

Seguindo as normas estabelecidas para a certificação de ISO 14001, as empresas ficam mais seguras sobre o gerenciamento de seus resíduos.

A certificação ISO 14001 também reduz os riscos de passivos ambientais e demonstra o compromisso da empresa com o meio ambiente. Ser uma empresa sustentável garante ao setor crescimento e ainda facilita as negociações com órgãos públicos, iniciativa privada e com potenciais parceiros.

Retirada do Entulho do Canteiro de Obras

Quando a obra é pequena e o volume de entulhos não possui grandes dimensões, a retirada do entulho pode ser feita por meio do Disque Entulho. Dependendo da cidade, este serviço pode ser público ou privado.

Para grandes obras, no entanto, as construtoras costumam ter empresas terceirizadas, especializadas na retirada do entulho e no seu transporte. Para reduzir o volume de entulho transportado e facilitar a reciclagem, algumas construtoras têm optado pelo uso de caçamba trituradora.

Dependendo do tamanho, essas caçambas podem triturar de 5 a 50 m3/h. Diferente do sistema convencional de mandíbulas, esse tipo de caçamba trabalha parada. Essa é uma vantagem, por eliminar a vibração da máquina portadora, aumentar a vida útil dos componentes e favorecer a saúde do operador.

No entanto, um efeito indesejável da caçamba trituradora pode ser o aumento de partículas suspensas no canteiro de obras. Dependendo das condições físicas do canteiro, esta é uma característica que deve ser avaliada.

Como Entulho Vira Lucro?

A produção de agregados a partir da reciclagem de entulhos custa, em média, 30% do valor do material extraído de jazida natural. Mas para alguns resíduos esse valores podem ser ainda menores.

Devido ao esgotamento de algumas fontes, a matéria-prima tem que ser buscada de lugares cada vez mais distantes. O que acrescenta custo no transporte; e no produto final.

Além do lucrar com o mais baixo pela matéria-prima, o resíduo reciclado torna-se produtivo e não ocupa espaço em aterros sanitários. Com a redução dos custos da matéria prima, menor custo do produto pode ser repassado ao consumidor final. Desta forma, é possível reduzir os custos de habitação e infraestrutura de estradas de ferro, rodovias, saneamento, praças etc.

Nesse contexto, se o produto reutilizado apresentar boa qualidade e desempenho compatível ao tradicional, haverá crescente demanda por material reciclado.

Para que os agregados reciclados possam atender as exigências de qualidade do mercado, foi estabelecida a norma NBR 15116/04.  Assim, sustentabilidade, lucro e qualidade podem ser agregados na construção de uma nova sociedade.

E é assim, que um antigo dilema vai encontrando soluções por meio de novas tecnologias; na gestão de cada um dos processos produtivos até a disposição final.

Hoje, com tecnologia e gestão ambiente eficiente é possível até mesmo zerar a produção de entulho.

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